Loading the player ...
Como se pode tratar a Ejaculação Prematura ?

Como se pode tratar a Ejaculação Prematura ?

A Ejaculação Prematura, também conhecida por Ejaculação Precoce, foi inicialmente considerada como um problema psicológico e, durante décadas, foi tratada com terapias comportamentais e cognitivas. Subsequentemente, surgiram tratamentos farmacológicos, como medicamentos sujeitos a receita médica e preparações para aplicação tópica.

A Ejaculação Prematura, tanto Crónica/Primária, como Adquirida/Secundária, é frequentemente uma disfunção de etiologia orgânica/neurobiológica, que pode ser tratada. Se a Ejaculação Prematura é causada por outra doença, como, por exemplo, uma prostatite crónica não diagnosticada, o seu tratamento terá efeitos positivos também na Ejaculação Prematura. Mesmo para o tratamento da forma Primária de Ejaculação Prematura existem diversas opções que o médico poderá prescrever. Em qualquer caso, recomenda-se vivamente a consulta a um médico para um diagnóstico correto e tratamento adequado.

Seguidamente, apresentam-se alguns dos tratamentos mais utilizados em homens com sintomas de Ejaculação Prematura. Neles, incluem-se abordagens cognitivas e comportamentais (por exemplo, posições especiais durante o sexo e estimulação interrompida), agentes de dessensibilização e, ainda, fármacos sujeitos a receita médica.

Terapia comportamental e cognitiva. Abarca diversas técnicas psicológicas e físicas que têm como objetivo treinar o homem na identificação dos sinais pré-ejaculatórios e melhorar o controlo sobre a ejaculação:

  1. As técnicas comportamentais mais utilizadas são o para-arranca (stop-start), introduzida, pela primeira vez, pelo Dr. J. Semans, em 1956, e a técnica de compressão (squeeze), descrita por Masters and Johnson (1970). Estão também disponíveis várias modificações destas técnicas (Porst, 2012), mas, após taxas de sucesso iniciais de 50-60%, a experiência clínica demonstrou que as mesmas não proporcionam melhorias a longo prazo. Em vez da técnica para-arranca, que se afigura muitas vezes insatisfatória para a parceira, o homem pode aprender a modular e a reduzir o nível de excitação e entusiasmo, servindo-se de movimentos lentos e sensuais, ao mesmo tempo que respira profunda e lentamente (as técnicas de controlo de respiração possuem um efeito calmante). O objetivo é o de manter o nível de excitação abaixo do limiar de ejaculação, conservando a ereção. No entanto, a experiência clínica, bem como diversos estudos científicos, sugerem que as melhorias alcançadas com estes métodos não se mantêm geralmente a longo prazo.
  2. A masturbação antes das relações sexuais é uma técnica usada por homens mais jovens. Após a masturbação, o pénis fica dessensibilizado, o que permite retardar um pouco mais a ejaculação após o período de recuperação. Numa abordagem diferente, o homem aprende a reconhecer os sinais de aumento de excitação sexual e a manter os seus níveis de entusiasmo sexual abaixo da intensidade que dá origem ao reflexo ejaculatório. Embora eficazes no curto prazo, estas técnicas de autoajuda poderão exacerbar a Ejaculação Prematura em vez de atenuá-la, uma vez que ignoram ou diminuem as sensações sexuais que precisam de ser controladas, de forma a melhorar a disfunção. Paralelamente, uma má prática da masturbação i.e. uma corrida sem parar até ao clímax pode dificultar ainda mais o desenvolvimento de mecanismos de controlo da ejaculação.

Em geral, não existem estudos controlados que suportem a eficácia das técnicas comportamentais.

Tratamento farmacológico. Diversos tratamentos prescritos para administração oral têm sido usados com sucesso após o diagnóstico de Ejaculação Prematura.

Cremes ou sprays de aplicação tópica. Contêm compostos anestésicos, como a lidocaína e a prilocaína, dessensibilizam o pénis e ajudam, desta forma, a atrasar a ejaculação, apresentando taxas de sucesso moderadas em estudos mais pequenos. Mas estes medicamentos anestésicos para aplicação tópica são, muitas vezes, difíceis de dosear, podendo, por isso, em caso de sobredosagem, causar anestesia da glande/pénis e originar a perda de ereção e/ou ejaculação. Por outro lado, existe também o risco de transferência do composto anestésico para a parceria, reduzindo as sensações de prazer e causando a anorgasmia. 

Outros métodos. Outras técnicas de autoajuda, como o uso de preservativos duplos ou preservativos com anestésicos (preservativos de “atraso”), produzem igualmente um efeito anestesiante. Embora parcialmente eficazes no curto prazo, poderão exacerbar a Ejaculação Prematura, uma vez que ignoram deliberadamente e/ou anestesiam as sensações sexuais que necessitam de ser controladas, de forma a melhorar a disfunção.

Evitar a automedicação. A automedicação afigura-se geralmente ineficaz e perigosa. Sendo algo que comporta sérios e elevados riscos para a saúde, deve ser evitada a todo o custo. Procure evitar medicamentos vendidos na internet, designadamente de comerciantes não autorizados. Os tratamentos mais seguros e de confiança são os que são prescritos pelo médico e comprados numa farmácia devidamente autorizada e nas farmácias online devidamente certificadas. Ver mais sobre o risco de medicamentos de contrafação

referências bibliográficas

  1. Althof SE et al. J Sex Med. 2010;7(9):2947-2969.
  2. Atikeler MK, Gecit I, Senol FA. Andrologia 2002;34(6):356-359.
  3. Broderick GA. J Sex Med 2006;3(4):295-302.
  4. Buvat J. J Sex Med 2011;8(suppl 4):316–327.
  5. Donatucci CF. J Sex Med. 2006;3(Suppl 4):303-308.
  6. EAU Guidelines on ED and PE 2012.
  7. El-Nashaar A, Shamloul R. J Sex Med. 2007;4(2):491-496.
  8. Gallo L, Perdonà S, Gallo A. J Sex Med. 2010;7(3):1269-1276.
  9. Giuliano F et al. BJU International 2008;102 (6):668-675.
  10. Giuliano F, Clement P. Eur Urol 2006;50 (3):454-466.
  11. Graziottin A, Althof S. J Sex Med 2011;8 Suppl 4:304-309.
  12. Halvorsen JG et al. J Am Board Fam Pract 1992;5:51-612.
  13. http://www.fda.gov/Drugs/DrugSafety/ucm169898.htm
  14. http://www.sciencedaily.com/releases/2012/02/120222093503.htm
  15. Jannini EA et al. Sessuologia Medica. Trattato di psicosessuologia e medicina della sessualità. Elsevier Masson Ed. 2007
  16. Jannini EA, Lombardo F, Lenzi A. Int J Androl 2005;28 Suppl 2:40-45.
  17. Jannini EA, Porst H. J Sex Med 2011;8 Suppl 4:301-303.
  18. Jannini EA, Simonelli C, Lenzi A. J Endocrinol Invest 2002;25(11):1006-1019.
  19. Laumann EO, Paik A, Rosen RC. JAMA. 1999; 281 (6) :537-544.
  20. Limoncin E, Tomassetti M, Gravina GL et al. J Urol 2012 Nov 6. Epub ahead of print.
  21. Lindau ST, Schumm LP, Laumann EO et al. NEngl J Med 2007;357:762–74.
  22. Masters WH, Johnson VE. Human sexual inadequacy. Boston: Little Brown; 1970:92–115.
  23. McCarty EJ. Core Evidence 2012;7:1-14.
  24. McMahon CG et al. J Sex Med 2008;5:1590–1606.
  25. McMahon CG et al. J Sex Med 2011;8:524-539.
  26. McMahon CG, Jannini E, Waldinger M, Rowland D. J Sex Med 2013;10(1):204-229.
  27. Montorsi F. J Sex Med 2005;suppl 1:8, ABS PS-3-1.
  28. Porst H et al. Eur Urol 2007;51(3):816-824.
  29. Porst H. “Premature Ejaculation”. In: Porst H, Reisman Y (eds):The ESSM Syllabus of Sexual Medicine.Medix Publishers,Amsterdam 2012; pp 547-595.
  30. Revicki V et al. Health and Quality of Life Outcomes 2008;6:33.
  31. Rosenberg MT, Sadovsky R. Identification and diagnosis of premature ejaculation. Int J Clin Pract. 2007;61(6):903-908.
  32. Screponi E, Carosa E, Di Stasi SM et al. Urology 2001;58(2):198-202.
  33. Shabsigh R, Rowland D. J Sex Med 2007;4 (5):1468-1478.
  34. Sotomayor M. J Sex Med 2005;2(2):110-114.
  35. Waldinger MD. Premature Ejaculation Definition and Drug Treatment. Drugs 2007;67 (4):547-568.
  36. World Health Organisation. ICD-10;1992. p. 355–356.
  37. www.eaasm.eu "The Counterfeiting Superhighway" report