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A felicidade existe?

 

A FELICIDADE EXISTE?

 

 

Poetas, filósofos, teólogos, psicólogos e até economistas tentam, desde tempos remotos até à atualidade, compreender o que é a felicidade. No dia-a-dia, todos tentamos ser felizes. Será que o somos sem saber, procuramos algo que não existe ou, simplesmente, a felicidade é (mesmo) difícil de obter?

 

Há quem pense que a felicidade é algo que se procura mas nunca se alcança. Há quem a associe a um momento de bem-estar ou ainda quem considere como tal a simples ausência de sofrimento. Outras correntes veem a felicidade como sinónimo de prazer. Dos filósofos gregos ao pai da psicanálise Sigmund Freud, do budismo a tantas outras religiões, a felicidade é um tema constante, interpretado e encarado de forma distinta.
Na atualidade, em que a necessidade de medir e contabilizar tudo domina, a felicidade tem formas de ser medida. Uma dessas ferramentas é o questionário da felicidade, elaborado pela universidade de oxford, que está disponível na internet para quem quiser testar o seu nível de felicidade. Mas não são apenas os psicólogos a procurar achar a medida da felicidade.

UMA PESQUISA FRANCESA REVELA QUE PARA OS HOMENS FRANCESES O SEXO É O PRINCIPAL MOTOR DE FELICIDADE, ENQUANTO AS MULHERES FRANCESAS PREFEREM A COMIDA, EM PARTICULAR O CHOCOLATE

Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.

Mahatma Gandhi

O que traz felicidade

A velha máxima de que "o dinheiro não traz felicidade" foi já comprovada cientificamente por vários estudos. Mas saber exatamente o que traz, afinal, mais felicidade não tem sido fácil de aferir. Um estudo norte-americano diz que é a sensação de ser reconhecido, admirado pelos pares, bem como a noção de poder dentro de um grupo social. Já uma pesquisa francesa revela que para os homens franceses o sexo é o principal motor da felicidade, enquanto as mulheres francesas preferem a comida, em particular o chocolate.

De acordo com os estudos que tentaram medir o sentimento de felicidade nas pessoas, não há diferenças substanciais entre a capacidade de ser feliz de homens e mulheres. Mas, na generalidade, a investigação levada a cabo conclui que as pessoas casadas, religiosas, otimistas e extrovertidas são mais felizes.

Embora haja alguns estudos contraditórios nesta área, um grande estudo longitudinal, que acompanhou milhares de pessoas ao longo de vários anos, realizado pela Universidade de Michigan, elucida sobre a razão subjacente à diferença no padrão de felicidade de casados e solteiros: o casamento parece ter um efeito protetor contra o normal declínio dos níveis de bem-estar que ocorre à medida que envelhecemos.

Economia da felicidade

Hoje, até economistas e políticos tentam teorizar sobre a felicidade. Na realidade, foi o rei do Butão, Jigme Singye Wangchuck, quem lançou a expressão "felicidade interna bruta", em respostas às críticas sobre o fraco desenvolvimento económico do seu país. No entanto, vários políticos têm mostrado interesse crescente por esta temática e alguns países desenvolveram o seu próprio índice ou relatório da felicidade. O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy foi um dos governantes que se notabilizou nesse sentido, ao criar uma comissão específica para estudar o assunto.

É neste contexto que se enquadra a chamada economia do bem-estar, ou economia da felicidade, um ramo das ciências económicas que advoga o uso de novas medidas, como por exemplo o nível público de felicidade, como complemento aos indicadores económicos tradicionais, como sejam o produto interno bruto (PIB) ou a inflação.

A própria Organização das Nações Unidas (ONU) tem defendido a contabilização da felicidade como instrumento de promoção do desenvolvimento sustentável. No seu Relatório Global de Felicidade, cuja segunda edição foi lançada em 2013, incluiu um ranking sobre a felicidade dos países. Dinamarca, Noruega, Suíça, Holanda e Suécia lideram, por esta ordem, a lista de países mais felizes do Mundo.

A felicidade é um bem que se multiplica ao ser dividido.

Maxwell Maltz

O homem mais feliz do mundo

Chama-se Matthieu Ricard, é monge budista, e considerado o homem mais feliz do Mundo. O “título” foi-lhe atribuído após um estudo neuronal realizado por investigadores da Universidade de Wisconsin - EUA, que nunca haviam encontrado uma pessoa com níveis tão elevados de equilíbrio das emoções, com um claro desvio para as emoções positivas, apesar de já terem aplicado a sua escala de felicidade a centenas de pessoas.

Ricard cresceu em Paris, no seio de intelectuais e artistas, doutorou-se em biologia molecular e trabalhou com alguns dos mais reputados cientistas do meio. Mas, aos 26 anos, trocou a capital francesa pelos Himalaias e a ciência pelo budismo. Hoje é tradutor e assessor do Dalai Lama.

Para este ex-investigador de origem francesa o amor é o único bem que se multiplica sempre que é investido.

A felicidade humana geralmente não se consegue com grandes golpes de sorte, que poucas vezes acontecem, mas com pequenas coisas que acontecem todos os dias.

Benjamin Franklin